quarta-feira, 1 de agosto de 2012
O Intelecto e a Intuição
Atualmente encontro-me em uma situação em que sinto algo que, desde o princípio, sabia que não deveria sentir, mas, mesmo com esse conhecimento, não pude evitar. Isso demonstrou claramente a divisão existente entre o intelecto e a intuição (o sentimento).
Percebo cada vez mais que ambos parecem ser conceitos antônimos, que podem sim viver em harmonia, mas o funcionamento de cada um independe do funcionamento do outro.
Essa distonia entre os elementos acaba por gerar várias dúvidas. Como posso saber que amo alguém mais do que a outra pessoa, se o amor é uma intuição, enquanto que a valorização depende de estruturas intelectuais? Pelo mesmo motivo, pergunto-me como posso saber qual o maior dos meus medos ou o maior dos meus desejos?
O fato é que eu simplesmente sei e independo de maiores implicações racionais para conhecer tanto os meus amores, tanto os meus medos, tanto os meus desejos. Percebo, com isso, que a valoração entre sentimentos similares pode se tratar de simples fé. Algo que para alguém como eu, com uma grande aversão a fé pura, livre de racionalidade, torna-se de difícil aceitação.
Seriam então todos os nossos sentidos intrínsecos dependentes de pura fé? A fé seria esse elemento que cria a valoração entre esses nossos sentimentos? Seria a fé a resposta para o velho jogo sobre quem você salvaria, caso pudesse apenas ajudar uma das pessoa?
Muitas experiências pessoais demonstram que o conhecimento, como um grande gerador de dúvida, pode servir para suprimir a nossa fé. Devo o meu ateísmo a esse fato e conheço muitas outras pessoas que vivenciaram a mesma experiência. Com isso podemos supor que o conhecimento poderia então suprimir nossos sentimentos, mas, supondo isso, como força reversa, podemos também acreditar que nossos sentimentos poderiam suprimir nosso conhecimento e, novamente, voltamos a tarefa sobre valoração.
Mas dessa vez a dúvida atinge níveis alarmantes, pois simplesmente me pergunto: como cria-se uma valoração, que depende do intelecto, que possa revelar qual dos dois elementos tem maior valor em cada pessoa: o intelecto, do qual depende a valoração, ou a intuição, que muitas vezes suprime qualquer forma de intelecto?
Não consigo pensar em nenhuma resolução para essa equação. Talvez ela nem tenha resolução e tenhamos que conviver com isso. Provavelmente sempre será apenas um salto de fé e nada mais, por mais que me doa admitir isso.
Assinar:
Postar comentários (Atom)







0 comentários:
Postar um comentário
Comentá aí!